

A principal aposta da NBC para nova temporada, Smash, acompanha os bastidores de uma produção de um musical da Broadway sobre Marilyn Monroe e a busca pela jovem atriz que dará vida à diva nos palcos. A premiere foi excelente, mas será que a série colocou tudo o que tinha de melhor no piloto e os episódios seguintes deixam a desejar?
A julgar pelo segundo episódio a resposta é um feliz “não”! The Callbacks mostra que a qualidade, tanto técnica quanto narrativa, será uma constante na série e não um mero acaso do piloto. As tramas são desenvolvidas com cuidado e, aos poucos, passamos a conhecer a personalidade de cada personagem, o que nos leva a entender suas ações diante de determinadas ocasiões. A Eileen Rand de Anjelica Houston, por exemplo, num primeiro momento aparenta ser uma fria e objetiva produtora musical. Com desenrolar do episódio, no entanto, percebemos que ela olha para o teatro musical com olhos apaixonados e que seu investimento em Marilyn: The Musical se deve mais a seu fascínio com a arte do que a uma decisão de negócios, o que pode vir a causar problemas no futuro.
O mesmo cuidado é apresentado em relação aos números musicais, o que pôde ser claramente observado em “20th Century Mambo”, facilmente o melhor número do episódio. A apresentação começou como uma simples audição, mas foi gradativamente se aproximando do produto final que será apresentado na Broadway. A série tem apostado em uma mistura de composições originais e covers de músicas populares, acertando ao apresentá-las em pequenas doses durante os episódios. Assim, a trama fica em primeiro lugar e as canções são introduzidas a serviço de avançar a história, ao contrário do que acontece em Glee, onde um episódio parece uma coleção de videoclipes ligados por algumas poucas falas avulsas. As comparações, aliás, se limitam ao fato de ambas as produções serem musicais e em algumas canções (como Beautiful) apresentadas nas duas séries, já que Smash é infinitamente mais adulta do que Glee.

No entanto, a série ainda tropeça em alguns pontos. Todo o drama envolvendo a família de Julia e o processo de adoção soou irreal e completamente ridículo. A fala do filho adolescente de Julia apelando pela consciência da mãe é tão piegas que ficaria brega até em uma novela mexicana (“se você não for buscar minha irmãzinha na China, o que vai ser dela?”).
Felizmente, para cada tropeço, Smash dá dois passos certos, como na autenticidade (ver que a série foi gravada nas locações reais, nas ruas de Nova York, em vez de um estúdio qualquer com green screen confere um charme a mais à série) e na ótima escolha de elenco. Todos – da já mencionada Angelica Houston a Jake Davenport, como o cafajeste diretor do musical, Derek – esbanjam simpatia e talento. No entanto, o destaque são realmente as protagonistas do conflito principal, Katharine McPhee e Megan Hilty como Karen e Ivy, respectivamente. Além de serem competentes atrizes, é quase impossível não ficar maravilhado quando elas começam a cantar e dançar. O espetáculo de Smash mostrou que veio para ficar e eu não pretendo perder nenhum ato.













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