

The Secret Circle é Harry Potter para adolescentes, no melhor e no pior sentido da frase (falarei mais adiante). A série acompanha a jovem Cassie Blake (Britt Robertson, a Lux de Life Unexpected), que vê sua vida mudar após sua mãe morrer em um incêndio provocado em segredo pelo misterioso Charles Meade (Gale Harold). Após a tragédia, a moça muda-se para a cidadezinha de Chance Harbor.
Lá, ela percebe que coisas estranhas acontecem a sua volta. Em pouco tempo ela descobre que é uma bruxa. Além disto, ela é descendente de uma longa linhagem de bruxos e bruxas que completa as seis famílias mágicas de Chance Harbor. Os descendentes das outras cinco famílias, que também são adolescentes, logo se interessam por Cassie, que guarda um enorme poder dentro de si. Em pouco tempo, eles convidam-na para integrar o tal círculo secreto que dá nome à série.
Cassie é uma jovem curiosa, inteligente e sensata. É através de suas descobertas que os telespectadores também conhecem os aspectos mágicos da cidadezinha e do tal círculo secreto. E se o piloto funciona tão bem, boa parte se deve a eficiente interpretação de Britt Robertson. Já o restante do elenco se sai bem pior, exagerando nas entonações e nas expressões faciais. Em diversos momentos o piloto parece uma mistura de Charmed com a versão mexicana de Rebelde, tamanha a canastrice dos atores.
O tal círculo secreto tem todos os papéis que se espera de uma serie adolescente. Adam (Thomas Dekker) é o bom moço. Popular e bonito, ele e é o centro das atenções das garotes. De cara um triângulo amoroso é formado entre Cassie, Adam e Diana (Shelly Henning), sua namorada. Ela é a líder do grupo, que mesmo se fazendo de boazinha, aparenta ter segundas intenções. Nick (Louis Hunter) é o tarado de plantão e alívio cômico da série. Por fim, temos a bitch Faye (Phoebe Tonkin) e sua ajudante bajuladora Melissa (Parker Kennedy). A primeira é a rainha do overacting, cada fala é acompanhada por uma expressão facial sob medida. A atuação de Tonkin é tão exagerada que Faye não anda pelas ruas como qualquer outra pessoa, ela desfila. Já a segunda, mal aparece no piloto.

- O Círculo Secreto
Como era de se esperar, a série lembra, e muito, sua irmã The Vampire Diaries, afinal ela é produzida pelo criador da série dos vampiros e é baseada no livro homônimo da mesma autora de Os Diários do Vampiro. E se Vampire Diaries é Drácula ou True Blood para adolescentes, The Secret Circle é Harry Potter para adolescentes.
O mundo mágico visto no piloto, guardadas as devidas proporções, é tão convidativo e interessante quanto o do jovem bruxinho. Não li o livro que deu origem à série, portanto não sei se os aspectos mágicos e a mitologia da série serão tão inventivos quanto aqueles criados por J.K. Rowling (apesar de desconfiar que não serão). Além disso, o olhar curioso e de deslumbramento com que Cassie enxerga suas raízes mágicas é muito similar ao que Harry demonstrava quando encontrava uma nova sala em Hogwarts ou descobria um novo feitiço.
Infelizmente, duvido muito que The Secret Circle vá conseguir desenvolver a mesma carga dramática e criar uma trama tão marcante quanto a da saga protagonizada por Harry, Ron e Hermione. A série deve seguir pelo caminho mais fácil e apostar no drama barato e nos clichês adolescentes. O que não é de todo mal, já que, pelo menos, desta mistura surgiu um piloto divertido que cumpre aquilo a que se propôs fazer.





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