O Fall Season chegou. É a época em que novas séries e novas temporadas chegam à TV. O número de séries no ar atualmente é assustador e o pior, a maioria é ruim. E como você, leitor e telespectador, tem uma vida agitada e corrida não quer perder tempo vendo séries ruins, não é? Ofereço, então, uma ajuda: assisti aos pilotos e as season premieres das principais comédias e em poucas palavras digo se vale a pena acompanhar a série regularmente, assistir a um episódio de vez em quando ou fugir logo de uma vez dessa bomba.
2 Broke Girls

É a principal bomba do fall season. Os vinte e poucos minutos do episódio piloto se arrastam devido à total falta de graça das cenas. As “piadas” conseguem apenas deixar o telespectador com um misto de vergonha alheia e desconforto. O pior é que a premissa é até interessante. Max, uma garota que sempre deu duro na vida, tem que treinar Caroline, a nova funcionária da lanchonete onde trabalha. O problema é que Carolina é uma ex-bilionária que nunca trabalhou. Sua família foi à falência, após seu pai dar um golpe em boa parte da cidade. Infelizmente, a premissa é sabotada por um roteiro raso, que não consegue arrancar um riso sequer do telespectador. Comédias raramente têm pilotos bons e demoram a engrenar, é verdade (vide Community e Parks and Recreation). Mas 2 Broke Girls consegue ser tão ruim que só mesmo um milagre (ou uma novos produtores e roteiristas) pode salvá-la.

The Big Bang Theory

A comédia dos nerds deixou de ser boa há muito tempo. Ela ainda arranca um sorriso aqui e uma gargalhada ali, mas ultimamente tais momentos têm sido a exceção e não a regra. A premiere dupla da quinta temporada teve boas piadas, mas ainda assim não foi o bastante para me convencer que a comédia voltou a sua boa forma de outrora. Os personagens (e os atores) parecem estar em mais sincronia, assim como acontecia na primeira temporada. Até a problemática Amy Farrah Fowler de Mayin Bialik esstá mais entrosada com o restante do grupo e isso por si só já garante que as gags funcionem melhor. O elo fraco continua sendo o bobo Raj. Kunal Nayyar tem um péssimo timimg cômico e quase sempre estraga a piada. No segundo episódio, sua também insossa irmã Priya aparece tentando apimentar seu relacionamento a distância com Leonard. E os roteiristas perderam a oportunidade perfeita de tirarem a personagem mais chata da série.
Os dois primeiros episódios mostraram uma pequena melhora em relação à fraca temporada anterior, mas mesmo assim é melhor não se comprometer com The Big Bang Theory ainda.

Community

A melhor comédia da atualidade voltou com força total. O primeiro episódio foi um tanto quanto apressado devido à necessidade de resolver os ganchos deixados pelo final da temporada passada. Pierce voltou para o grupo de estudos, Greendale está a beira da falência e o Reitor Pelton (que agora é personagem regular) encontrou um adversário a altura na pele de John Goodman. Por fim, Chang, desempregado e sem-teto, agora é o segurança da faculdade.
Mesmo assim, Biology 101 fez rir com momentos geniais. Toda a subtrama evolvendo a paixão de Abed por Cougar Town (que também adoro) e seu futuro incerto, nos fez conhecer a excelente Cougarton Abbey e culminou na melhor tirada do episódio: a paródia de Doctor Who, Inspector Spacetime. A inspirada sequência musical que abriu o episódio, revelou que, assim como os telespectadores, Jeff (que sonhou toda a coisa) ainda quer investir em seu romance com Annie. E se o Reitor Pelton não ficou feliz ao se dar conta de que esse ano será tão maluco quanto os dois anteriores, nós fãs não podíamos estar mais satisfeitos.
Free Agents

Free Agents, refilmagem de uma série britânica, traz Hank Azaria e Kathryn Hann como colegas de trabalho que se envolvem sexualmente após uma noite de bebedeira e decidem não repetir o ato para manter o profissionalismo. Ambos passam por problemas de relacionamento (ele enfrenta um complicado divórcio, ela tenta se recuperar da morte do marido) e das dificuldades amorosas em comum, nasce uma amizade.
Free Agents não é ruim, apenas não é boa. A série não empolga, os personagens principais são pouco carismáticos e pouquíssimas piadas fazem rir. O principal problema da série, porém, são os coadjuvantes. Do amigo solteirão de Alex que tenta imitar, sem sucesso, o Barney de How I Met Your Mother, até Emma, antipática secretária da agência de publicidade, o elenco de apoio exagera nas atuações, querendo demais aparecer e nem sempre conseguindo fazer graça. Pode melhor, mas por enquanto é melhor não se apegar a Free Agents.

Glee
Glee voltou com um episódio apenas correto. O episódio não foi muito ruim, foi simplesmente mediano. Boa parte de The Purple Piano Project foi nos apresentar a novos personagens, resolver os ganchos deixados pelo final da temporada passada e apresentar os rumos que o terceiro ano deve tomar.
Ao que tudo indica o arco principal de temporada acompanhará Rachel, Finn e Kurt no último de ensino médio. É a última chance para eles (e alguns outros membros do coral) de vencer o campeonato nacional. A vitória não será nada fácil, já que a escola ainda parece odiar qualquer tipo de música e Sue voltou a ser a malvada que conhecíamos na primeira temporada.
O problema da premiere (e de boa parte da temporada passada) é que Glee caiu no lugar comum. A série ligou o piloto automático no início do segundo ano e desde então, todos osepisódios se transformaram em diversos videoclipes ligados uns aos outros por fiapos de história.
Sr. Schue prometeu que este será o ano para se corrigir os erros do passado e fazer tudo direito. Torço para que Glee consiga manter essa promessa.
How I Met Your Mother

How I Met Your Mother é uma série problemática. Suas duas primeiras temporadas (e parte da terceira) foram excelentes, mas a partir do quarto ano, as coisas começaram a desandar. Sim havia episódios excelentes aqui e ali, mas a maioria ia de mediano a horrível. No entanto, desde a temporada passada HIMYM vem mostrando sinais de melhora e a premiere dupla do sétimo ano, mesmo não sendo perfeita, foi divertida, empolgante e, mais importante, engraçada.
A trama principal da temporada irá girar em volta da identidade da noiva de Barney. Creio que mais flashes do futuro casamento serão apresentados ao longo do ano. Minha aposta? Robin, pois além da personagem ser a popular das duas pretendentes entre os fãs, na temporada passada Ted se comprometeu a ser o padrinho da jornalista. É possível que ele seja padrinho do noivo e da noiva.
De modo geral, a premiere de How I Met Your Mother amarrou satisfatoriamente as pontas soltas da temporada passada e foi engraçada o bastante para garantir seu lugar na minha watchlist semanal. Além disso, a estrutura narrativa da série nunca deixa de impressionar.
Modern Family

Após uma irregular segunda temporada que colocou em dúvida o mérito do Emmy de melhor série cômica, Modern Family faz uma dobradinha para abrir seu terceiro ano de forma fenomenal.
É bem verdade que os problemas da temporada passada se resumiam aos fracos roteiros que sempre caiam no lugar comum. O elenco todo sempre foi excelente, com ótimos timing cômico e química em cena, criando uma dinâmica convincente e animada. E quando o roteiro é bom como o dos dois episódios dessa premiere, o resultado é ainda melhor.
A principal novidade da temporada é o súbito crescimento de Lilly, que agora é interpretada pela adorável Aubrey Anderson-Emmons. Ao que parece o tempo passou mais rapidamente para ela do que para os demais familiares e a série não tentou explicar como ou por que isso aconteceu. Mas quem se importa? O importante é que a mudança permitiu a personagem se tornar mais ativa nas cenas, chegando a ser o centro de algumas tramas, como ocorreu em When Good Kids Go Bad (o melhor dos dois episódios).
Pode investir seu tempo em Modern Family, pois a julgar por essa premiere, a série voltou para mostrar que se pode fazer comédia de qualidade na TV, mesmo após algumas recaídas.
(Desde quando Luke se tornou o melhor personagem da série? É impossível não rir nas cenas em que o menino aparece.)

New Girl

New Girl é facilmente a melhor comédia estreante nesse Fall Season. Não que a série seja genial, a concorrência que é fraquíssima. Protagonizada por Zooey Deschanel ((500) Dias Com Ela), a trama acompanha Jess, uma garota adoravelmente nerd, que se tem que se mudar após descobrir que seu namorado a traía. O problema é que ela vai morar com três solteirões, o que é garantia de confusão. Se a premissa soou para você como uma sinopse de filme da Sessão da Tarde é porque ela realmente é. Isso não necessariamente significa que ela seja ruim, afinal ótimas comédias como Modern Family, Friends, Community e Seinfeld partiram de premissas até mais banais.
O principal atrativo de New Girl é Zooey Deschanel. É impossível negar o carisma, o talento e a beleza da atriz. Se em parte o piloto funciona tão bem é devido à presença de Deschanel. Por outro lado, o principal defeito do piloto é a tendência da moça ao over-acting. Sim, Jess é uma garota desajeitada e engraçadinha, mas não é necessário que ela faça uma careta, uma dancinha ou dê uma piscadela ao final de cada fala. Seus colegas de quarto ainda não tiveram tempo para se desenvolver, mas parecem preencher os estereótipos das comédias românticas. Tem o apaixonado bom moço, o gostosão que se acha e vive sem camisa e o cara que não sabe bem como conversar com mulheres. Apesar dos defeitos, todos eles têm um bom coração.
Eles já acolheram a New Girl como nova moradora e amiga. Já eu, apesar de ter gostado do piloto (a douchebag jar é uma ótima sacada), irei conferir mais alguns episódios antes de me comprometer com a série.

Two and a Half Men

Depois de todo o escândalo envolvendo a saída de Chalie Sheen dá série e do anúncio de Ashton Kutcher como seu substituto, Two and a Half Men se tornou a comédia mais badalada do fall season. Ashton Kutcher conseguiria encarar o desafio? A série ficaria pior depois da mudança? Melhoraria? Sim, não e não.
A série continua mesma. O humor óbvio está intacto. A cena que abriu a premiere mostrou o velório de Charlie (que depois de trair a namorada caiu “acidentalmente” nos trilhos do metrô e foi atropelado). O velório não passou de uma desculpa para Chuck Lorre, criador da série, insultar Charlie Sheen de forma óbvia através do se alter-ego na série, Charlie Harper.
Com a morte de Charlie, Walden (Kutcher) compra a mansão do defunto e logo se torna amigo de Allan. Kutcher, que tem experiência com comédias multicâmera, se mostra confortável em cena e faz o que pode com fraco roteiro. Seu Walden é uma versão mais bobalhona e rica de Kelso, personagem que o ator interpretou na saudosa That ’70s Show. Infelizmente, o carisma de Kutcher não é suficiente para melhorar a série.
Se você já gostava de Two and a Half Men, fique tranquilo, mesmo com a saída de Sheen e a entrada de Kutcher ela continua (ruim) do mesmo jeito. Agora se você não era fã, ou via alguns episódios vez ou outra, não será a mudança de protagonista que te fará mudar de idéia.

Up All Night

Up All Night tem uma premissa bem parecida com a da ótima Raising Hope: uma gravidez inesperada muda completamente as vidas de uma família, a diferença é que aqui os membros da família já estão estabilizados estrutural e financeiramente.
Will Arnett e Christina Applegate vivem Chris e Reagan, pais de primeira viagem, e são o principal atrativo da série. Carismáticos e talentosos, eles logo conquistam o telespectador e mostram uma excelente química em cena. O elo fraco do elenco é Maya Rudolph como a chefe de Reagan. A atriz que geralmente é bem mais talentosa em outros trabalhos, aqui encarna Ava de forma exagerada e a personagem acaba destoando do restante da série.
Up All Night não é brilhante, mas tem potencial e se considerarmos a escassez de novas boas comédias nesse fall season, ela é a outra única boa aposta ao lado de New Girl. Espere mais alguns episódios antes de se comprometer.

* Parks and Recreation, Raising Hope e The Office voltaram com tudo, vale à pena acompanhar. Já a estreante Whitney é pior que que 2 Broke Girls. Fuja sem olhar para trás.














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