Logo após terminar a lista das cinco séries de TV que atingiram seu auge na primeira temporada comecei a pensar sobre um fenômeno igualmente curioso, mas basicamente oposto: séries boas que começaram com o pé esquerdo. Algumas levaram apenas alguns episódios para se encontrarem, outras, entretanto, gastaram temporadas inteiras até conseguirem se endireitar.
Apresento, então, cinco ótimas séries que tiveram horríveis inícios.
5. Fringe 4. Buffy, A Caça-Vampiros A primeira temporada, no entanto, é um perfeito exemplo de vergonha alheia. Valores de produção baixos, texto pobre e atuações horríveis criavam cenas extremamente bregas, o que fez com que o primeiro ano tivesse um ar trash, e não no bom sentido. 3. Dollhouse Como acontece com muitas produções televisivas, bastou Dollhouse ganhar uma data de validade para a série engrenar. A trama passou a correr com fluidez e naturalidade, os personagens foram bem explorados e o arco geral da série ficou bem mais coeso com a aproximação de seu fim. A única coisa que não melhorou foi a sofrível atuação de Dushku. 2. True Blood 1. Seinfeld No entanto, a série foi encontrando seu caminho e lá por meados do segundo ano, com auxílio da regra “sem aprendizado, sem abraços” que garantia que os personagens não amadurecessem emocionalmente, já havia traços do brilhantismo que veríamos nas temporadas seguintes.
A série de mistério de J.J. Abrams (não, não estou falando de Lost) teve um sólido episódio piloto que nos apresentou ao estranho e instigante mundo da ciência de borda, mas Fringe infelizmente não conseguiu manter o bom nível e a primeira temporada foi terrivelmente irregular. Alguns excelentes episódios como aqueles que se focavam nos Observadores ou na dinâmica entre Peter e Walter pontuavam um vasto oceano de mediocridade. A segunda temporada apresentou uma melhora significativa em relação a primeira ao definir o arco narrativo logo de início e ao apresentar menos episódios com casos isolados, ainda sim alguns problemas persistem como a fraca interpretação de Anna Torv.
Buffy nunca foi exatamente o exemplo de boa televisão, mas em seu tempo áureo, a série conseguia divertir e entreter o público com personagens cativantes uma complexa e rica mitologia. Até hoje, Buffy se destaca entre as séries sci-fi e sobrenaturais como um clássico cult repleto de episódios marcantes (Once More, With Feeling é inesquecível), que até deu origem a um ótimo spin-off: Angel.
O início de Dollhouse é uma bagunça. A premissa da série gira em torno de pessoas que têm diferentes personalidades “implantadas” a cada dia conforme a necessidade do cliente. E a protagonista da série, Eliza Dushku, apesar de linda, é uma atriz extremamente limitada que mal consegue criar uma única personalidade convincente em cena. Além disto, o roteiro era fraco, com tramas de “imprint da semana” pouco inspiradas e nada envolventes e Paul, personagem principal masculino e interesse amoroso de Echo, tinha o carisma de um poste. A primeira temporada até tinha seus raros momentos inspirados quando decidia focar-se na origem de Caroline e quando Alpha aparecia (ou seja, apenas os dois últimos episódios).
A série dos vampiros sulistas, apesar do clima trash, está entre o que há de melhor na TV atualmente. Mas confesso que me forcei a assistir os quatro primeiros episódios. A primeira temporada toda foi falha, no entanto os quatro episódios iniciais são particularmente problemáticos. A série abusou das cenas de sexo para tentar compensar pelo elenco sem sintonia, pelos personagens antipáticos com objetivos fúteis e pela trama boba e nada envolvente. A partir do quinto episódio, as coisas começam a se endireitar até formarem uma excelente segunda temporada com diversas tramas diferentes acontecendo simultaneamente de forma coesa e interessante.
Antes de Seinfeld ser a famosa série sobre o nada que todos conhecem e amam, ela se chamava The Seinfeld Chronicles e era horrível. Um dos principais problemas do episódio piloto é a ausência de Elaine. No entanto, mesmo depois que a moça entra para a turma de Jerry, as coisas continuaram mal. A atuação era em sua maior parte exagerada, o timing cômico dos atores praticamente inexistia e a série dependia excessivamente das faixas de risadas gravadas para tentar arrancar algum riso do telespectador. Além disto, as personalidades dos personagens ainda não estavam bem definidas e a premissa de “série sobre o nada” ainda não havia sido completamente implementada.













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