FlashForward – 1×01 – No More Good Days

Hélcio Moreira Jr. 26 de setembro de 2009

FlashForwardEis que finalmente estreia a série que promete ser o hit desta temporada. Baseada no romance homônimo de Robert J. Sawyer e envolta por um hype monumental, FlashForward tem a difícil missão de atender às rigorosas expectativas levantadas pela campanha de marketing do canal ABC. Tarefa que este primeiro episódio, No More Good Days, cumpre bem, mas com algumas ressalvas.

A trama acompanha o agente Mark Benford, interpretado com maestria pelo ator Joseph Fiennes (Shakespeare Apaixonado), enquanto ele tenta entender o que realmente aconteceu quando toda a humanidade desmaiou exatamente no mesmo instante por exatos 2 minutos e 17 segundos. Para complicar o enigma, enquanto estavam apagados, cada pessoa vivenciou uma “memória do futuro”, ou Flash Forward, que irá acontecer em seis meses. Durante o apagão, bilhões de pessoas morreram em acidentes de trânsito, em hospitais, desastres aéreos, instaurando o caos em todo o planeta.

Insistentemente comparada com Lost pela mídia e principalmente pela ABC, FlashForward também tem início com uma catástrofe grandiosa, que certamente gastou milhares de dólares para ser produzida, mas as similaridades param por aí. Enquanto que na primeira esperamos cerca de duas temporadas para conhecermos Jacob, em um único episódio de FlashForward, a catástrofe acontece, as pessoas descobrem que seus sonhos foram visões do futuro, descobrem também a data em que tais visões supostamente irão acontecer e o FBI cria uma força tarefa para investigar o evento. Tudo isto no episódio piloto. Ah! Como se o desenvolvimento já não estivesse acontecendo rápido demais, o FBI descobre uma pessoa que não foi afetada pelo apagão cósmico. É como se, em Lost, logo após o monstro de fumaça matar o piloto no primeiro episódio descobríssemos qual seu verdadeiro propósito. Deus! Demorou uma temporada para sabermos que tal monstro era DE FUMAÇA.

FlashForwardEsta pressa acabou por atrapalhar o piloto. A imagem de Los Angeles destruída foi de tirar o fôlego. Helicópteros desgovernados atravessando edifícios, pessoas ensangüentadas, desastres rodoviários, um verdadeiro caos. O desastre em si deveria ter sido explorado mais a fundo e ganhado mais tempo de tela. O problema é que passado o choque (e a admiração) inicial, todos os personagens voltam para seus empregos com toda a calma, ninguém procura sua família. É como se tudo não tivesse passado de um pequeno blackout. Mas aí você pode dizer: “Tanto o trabalho do agente Benford, quanto o de Olivia (Sonya Walger, a Penny de Lost) são de extrema importância em uma situação como esta! Ele é do FBI e ela é médica! ” Tudo bem, mas e a babá da filha deles? Ela não tem família? O fato dos personagens resolverem tudo tão rapidamente, nunca entrando em choque, acaba com a sensação de urgência que existe na primeira metade do piloto.

No entanto FlashForward tem potencial, muito potencial. Além da qualidade técnica, os personagens são o grande trunfo do piloto. Todos parecem ter profundidade o bastante para criar boas histórias e gerar conflitos interessantes ao longo da série. As visões também são outro destaque. Se você pudesse vislumbrar seu futuro e visse algo ruim? Você aceitaria seu destino ou tentaria mudá-lo, mesmo sabendo que isto prejudicaria outras pessoas? Além disso, será interessante ver como os flash forwards de diferentes personagens irão se interligar.

Quanto à figura misteriosa do fim do episódio, aposto minhas fichas no famigerado personagem de Dominic Monaghan (o Charlie de Lost), apesar de achar tal palpite óbvio demais.

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